Yungblud amplia impacto de ‘Zombie’ com colaboração do The Smashing Pumpkins

Nesta sexta-feira (2), o cantor britânico Yungblud lançou uma nova e poderosa versão de seu single “Zombie”, agora com a participação especial do The Smashing Pumpkins. A releitura traz uma sonoridade mais pesada e densa em comparação à faixa original e chega acompanhada de um clipe inédito, reforçando o impacto visual e emocional da colaboração. O lançamento marca um encontro simbólico entre gerações do rock e consolida Yungblud como um dos nomes mais inquietos e relevantes da cena contemporânea.

A nova versão de “Zombie” foi apresentada com ares de evento. No clipe, Yungblud aparece ao lado da banda liderada por Billy Corgan em um cemitério coberto de neve, cenário que dialoga diretamente com a atmosfera melancólica e agressiva da canção. As imagens reforçam o contraste entre fragilidade emocional e explosões sonoras, conceito que atravessa toda a obra recente do artista britânico.

Lançada originalmente em junho do ano passado, “Zombie” foi o primeiro single do quarto álbum da carreira de Yungblud, “Idols”. O disco representou um ponto de virada na trajetória do músico, tanto em termos artísticos quanto de reconhecimento da crítica, posicionando-o definitivamente como um dos principais representantes da nova geração do rock internacional.

Uma colaboração construída a partir da admiração

A parceria com o The Smashing Pumpkins não surgiu por acaso. Em entrevistas recentes, Yungblud deixou claro que Billy Corgan sempre foi uma de suas maiores referências criativas. Em conversa com a revista Loudwire, o britânico revelou que o clássico álbum “Siamese Dream”, lançado pelo Smashing Pumpkins em 1993, foi uma das principais inspirações para a composição da versão original de “Zombie”.

“Era realmente a tristeza e a emoção melancólica misturadas com a agressividade das guitarras do Billy… Billy, como compositor, foi realmente a principal fonte de inspiração para mim quando eu estava fazendo este álbum”, afirmou Yungblud. Segundo ele, desde o nascimento da música existia a vontade de explorar outras camadas sonoras e emocionais da faixa.

“Quando ‘Zombie’ surgiu, eu sabia que queria fazer uma nova versão dela, então liguei para Billy e disse: ‘Por favor, me ajude a resolver essa questão. Quero que essa música tenha um impacto maior’”, contou o artista. A resposta positiva de Corgan transformou a ideia em realidade e resultou em uma gravação que amplia o peso e a dramaticidade da canção.

Na nova versão, Billy Corgan assume o segundo verso da música, imprimindo sua assinatura vocal característica antes de se juntar a Yungblud no encerramento da faixa. O trecho final, em que ambos cantam juntos “Você sequer me quereria, me quereria, me quereria?”, ganha ainda mais força emocional, funcionando como um clímax intenso e perturbador.

Do otimismo à escuridão

Musicalmente, a nova leitura de “Zombie” aposta em guitarras mais distorcidas, clima mais sombrio e uma construção que flerta com o contraste entre luz e escuridão. O próprio Yungblud definiu esse conceito como um elemento essencial para a canção.

“Eu queria que essa música aprofundasse mais. Ainda precisa haver um elemento quase Jekyll e Hyde, precisa haver a versão que está cheia de luz e cheia de vida e otimismo, mas então precisa haver essa versão sombria que é pessimista, um pouco amarga e meio agressiva”, explicou o cantor.

Essa dualidade também reflete a proposta do álbum “Idols”, que aborda temas como identidade, vulnerabilidade, pressão da indústria musical e a busca por autenticidade em um cenário cada vez mais padronizado. Ao revisitar “Zombie” com o The Smashing Pumpkins, Yungblud não apenas presta homenagem a uma de suas maiores influências, como também reforça seu discurso artístico.

Reconhecimento da crítica e do Grammy

O impacto de “Zombie” e de “Idols” também se reflete no reconhecimento institucional. A canção foi indicada ao Grammy Awards de 2026 na categoria “Melhor Canção de Rock”, concorrendo com nomes de peso como Nine Inch Nails, Sleep Token, Hayley Williams e Turnstile. Já o álbum “Idols” disputa o prêmio de “Melhor Álbum de Rock”, ao lado de trabalhos de Deftones, Haim, Linkin Park e Turnstile.

Além disso, Yungblud também aparece entre os indicados na categoria “Melhor Performance de Rock” por sua interpretação de “Changes”, clássico do Black Sabbath. As indicações reforçam o momento especial vivido pelo artista, que vem sendo apontado como um dos responsáveis por renovar o interesse pelo rock em meio a um mercado dominado por outros gêneros.

Um artista em constante reinvenção

Antes do lançamento de “Idols”, Yungblud falou à revista Rolling Stone sobre a importância desse álbum em sua carreira. Para ele, o disco representou quase um ponto de não retorno. “Este álbum foi quase como minha última chance”, afirmou. “Se eu não tivesse certeza do que estava fazendo, acho que não teria havido um caminho de volta para mim.”

O cantor relembrou o impacto de seu álbum de estreia, “21st Century Liability”, lançado quando ele tinha apenas 19 anos. “Fiquei muito maior do que jamais esperava. E então a grande mídia te encontra e você fica inseguro sobre coisas que não sabia que existiam”, disse. Essa pressão foi determinante para a busca por uma identidade ainda mais clara e pessoal em “Idols”.

“Se soasse como o passado, eu falhei. Que se dane. Existem tantas bandas de rock cópia por aí. É por isso que o rock está morto há tanto tempo”, provocou. “Eu não queria aderir a um período de tempo. Se parecesse específico demais para este momento, então eu falhei. E isso me daria vergonha alheia.”

O estado do rock e a influência de Billy Corgan

A relação entre Yungblud e Billy Corgan vai além da colaboração em estúdio. Em outubro, o britânico participou do podcast “The Magnificent Others”, apresentado pelo próprio Corgan, onde discutiu abertamente o estado atual do rock. Segundo ele, durante muito tempo foi incentivado a “distorcer” a ideia do rock, em vez de abraçar sua forma mais crua e genuína.

“Por tanto tempo, as pessoas vêm me dizendo para distorcer a ideia da música rock em vez de apenas ir com tudo na sua forma mais pura pela qual me apaixonei”, afirmou. “E então o bom e velho Billy Corgan diz: ‘Eu gostaria que você apenas cantasse isso’. E aí eu penso: ok, vamos lá.”

Para Yungblud, esse conselho foi decisivo. “Acho que toda essa jornada realmente tem sido tão bonita porque me acomodei na primeira versão do que acredito que estarei fazendo pelo resto da minha vida”, completou.

Clipe reforça estética sombria

O clipe da nova versão de “Zombie” funciona como uma extensão natural da música. Ambientado em um cemitério coberto de neve, o vídeo aposta em imagens frias, cores dessaturadas e uma sensação constante de isolamento. A presença do The Smashing Pumpkins ao lado de Yungblud reforça o caráter simbólico do encontro entre gerações do rock.

A estética escolhida dialoga diretamente com o sentimento de devastação silenciosa que a música carrega, traduzindo visualmente a melancolia e a agressividade presentes na nova gravação. O resultado é um material que reforça a força da faixa e amplia seu alcance emocional.

Expectativa para o Brasil em 2026

Para os fãs brasileiros, o lançamento também reacende a expectativa de ver Yungblud ao vivo no país. Em dezembro do ano passado, o cantor estava escalado como uma das atrações do show do Limp Bizkit em São Paulo, mas precisou cancelar sua participação às vésperas do evento por questões de saúde.

Na ocasião, Yungblud lamentou a ausência, mas garantiu que pretende reagendar todos os shows cancelados. Segundo o artista, a intenção é retornar ao Brasil em 2026, o que ganha ainda mais força diante do momento positivo vivido em sua carreira e do sucesso de “Idols”.

Um encontro que simboliza o presente e o futuro do rock

A nova versão de “Zombie” com o The Smashing Pumpkins vai além de uma simples colaboração. O lançamento simboliza um diálogo entre passado, presente e futuro do rock, unindo a experiência e a influência de Billy Corgan à inquietação criativa de Yungblud. Em um cenário frequentemente acusado de estagnação, a parceria surge como prova de que o gênero ainda é capaz de se reinventar, emocionar e provocar.

Com reconhecimento da crítica, indicações ao Grammy e uma base de fãs cada vez mais fiel, Yungblud segue consolidando seu espaço como uma voz relevante e necessária no rock contemporâneo. E, ao revisitar “Zombie” com peso renovado e companhia de peso, o britânico deixa claro que sua jornada artística está longe de chegar ao fim.

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